quinta-feira, 27 de outubro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
O depressivo, escreve Maria Rita, “foi arrancado de sua temporalidade
singular, daí sua lentidão tão incompreensível e irritante para os que
convivem com ele”. Ele não é apenas aquele que sabemos que é, mas também
aquele que não sabemos. Contra ele, há sempre um erro de representação,
uma construção. Ele acredita no mundo à sua maneira e exerce uma experiência
da temporalidade muito própria, na qual “o fio do tempo deixa de ser tensionado
pelo Outro [...] ao sabor de suas inclinações”.
singular, daí sua lentidão tão incompreensível e irritante para os que
convivem com ele”. Ele não é apenas aquele que sabemos que é, mas também
aquele que não sabemos. Contra ele, há sempre um erro de representação,
uma construção. Ele acredita no mundo à sua maneira e exerce uma experiência
da temporalidade muito própria, na qual “o fio do tempo deixa de ser tensionado
pelo Outro [...] ao sabor de suas inclinações”.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
terça-feira, 18 de outubro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Psicologia e Religião
domingo, 16 de outubro de 2016
Fugindo do amor: a dificuldade de se relacionar nos tempos atuais.
Duas pessoas se encontram, se sentem atraídas uma pela outra, se conhecem, gostam da conversa, da troca, “ficam” por um dia, dois, semanas e quando tudo parece ir bem, caminhando para uma relação mais estável, uma das partes se afasta e some. Muitas pessoas já viram isso acontecer com pessoas próximas ou já passaram por essa situação.
A ruptura quando acontece de uma forma distante, pela rede social ou sem muitas explicações e sem motivos claros, pode deixar na outra pessoa algumas marcas. Muitas perguntas ficam sem respostas e esse silêncio dá margem para que várias inseguranças surjam. A pergunta “o que será que eu fiz de errado? ” soa cada vez mais forte no imaginário, trazendo angústia e tristeza. No consultório é frequente o número de homens e mulheres inseguros em relação ao seu próprio valor, com medo da rejeição e do abandono. E isso tende a ser uma bola de neve, quanto mais inseguro, mais medo de se relacionar e se abrir verdadeiramente para uma relação.
Por que isso acontece?
Diferentemente de antigamente, hoje em dia temos acesso a muitas coisas de forma rápida e descartável, como comida, fotografia, vídeo, roupas, etc. Usufruímos das coisas sem precisar esperar muito ou se esforçar demasiadamente para tê-las. Nesse contexto muitas vezes acabamos transferindo esse comportamento também para as nossas relações. Quem aborda bem esse assunto é o sociólogo Zygmunt Bauman, que aponta a fragilidade das relações afetivas atuais. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.
A proximidade entre duas pessoas sugere que haverá um relacionamento estável e isso pode incomodar, porque o compromisso exige um esforço real, uma capacidade de lidar com o momento pós-excitação da novidade. Quando nos compromissamos com algo significa que nos importamos com a outra pessoa, que estamos juntos em várias situações, que iremos conhecer os amigos e a família, ou seja, precisaremos nos doar e nos envolver de verdade com o outro, num relacionamento real, com rotina, desagrados e alegrias.
Uma relação também indica que em algum momento teremos que entregar uma parte nossa ao outro e essa parte não temos como controlar, é preciso confiar, confiar que o outro não vai me abandonar, que vai me respeitar, vai ser leal, vai querer o meu bem. Esse momento pode ser muito difícil porque não há garantias que um relacionamento dará certo ou não, e isso é da natureza das relações, só se sabe vivendo.
O compromisso sugere principalmente o amadurecimento, só quando nos compromissamos com algo verdadeiramente, seja no trabalho, na família, no amor, é que construímos alguma coisa, é que crescemos realmente.
As relações amorosas são um grande exercício para o amadurecimento pessoal, quando gostamos de alguém temos que nos esforçar para entender a pessoa que amamos, sair da nossa perspectiva e olhar um pouco pela perspectiva do outro, encontrar soluções diferentes para os conflitos, fazer acordos, aceitar o que não aceitaríamos há um mês. Tudo isso contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e emocional.
Por um mundo mais afetivo.
As relações, além do amadurecimento, trazem prazer à vida. Amar e se sentir amado, poder compartilhar as boas e más experiências fazem muito bem ao ser humano, trazem a sensação de segurança e bem-estar. Segundo Martin Seligman, psicólogo e um dos grandes autores da Psicologia Positiva, o casamento está intimamente ligado à felicidade. Os casados se sentem mais amparados e as pessoas felizes são mais predispostas a se casar e a manter o relacionamento. Além disso, as relações trazem também benefícios a saúde, um estudo realizado pelo Hamad Medical Corporation – Heart Hospital, demonstrou que, mesmo em pessoas jovens, ter um relacionamento estável leva homens e mulheres a adotarem hábitos mais saudáveis.
Tudo isso prova que manter relações estáveis e saudáveis fazem bem e promovem a felicidade. Quando há a vontade genuína de se relacionar é preciso entender as barreiras conscientes e inconscientes que impedem um relacionamento real. Às vezes construímos crenças no passado que nos atrapalham hoje, fatores inconscientes podem estar atuando na nossa vida, é preciso querer entende-los e ressignificá-los.
O processo do autoconhecimento é fundamental para mudarmos padrões que não servem mais e nos abrirmos para as mudanças que desejamos. A psicoterapia pode ser uma importante aliada nesse processo, pois ajuda a nos tornarmos mais flexíveis e mais generosos conosco, construindo uma vida com mais amor e bem-estar.
Precisamos falar sobre o suicídio
* Por: Viviane Lajter Segal
De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria 17% da população brasileira já pensou, em algum momento, em tirar a própria vida. Todo ano são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e um milhão no mundo todo. Por causa desses números alarmantes o suicídio se tornou uma epidemia. Porém, é uma epidemia silenciosa, pois existe um tabu muito grande da sociedade em falar sobre o assunto, discutir possibilidades de evitação e mesmo de assumir que um ente querido tenha terminado com a própria vida.
Quebrando tabus
Na maior parte das vezes aquele que se suicida avisa de alguma forma, e mais de uma vez, antes de cometer o ato. Porém, há uma descrença das pessoas próximas. Geralmente acreditam que a pessoa está querendo apenas chamar a atenção, ou que “quem quer se matar de verdade não avisa, simplesmente se mata.” Pensamentos completamente enganados!
A ideia de acabar com a própria vida não é corriqueira e não podemos considerar que seja algo natural em algum momento da vida. Por isso, quando alguém chega a verbalizar a vontade de se matar, é importante que familiares e pessoas próximas fiquem atentos ao invés de desdenhar e deixar o assunto de lado. Além da descrença e do preconceito sobre o assunto, há também um real despreparo da sociedade com o problema.
O que fazer?
O que fazer quando uma pessoa querida cogita a ideia de acabar com a própria vida? Buscar ajuda profissional e nunca duvidar! Os profissionais capacitados para lidar com essa situação são o psicólogo e um médico psiquiatra. Juntamente com essa rede profissional é imprescindível que haja um apoio familiar que suporte esse momento de angústia tão forte.
Aspectos psicológicos
A grande maioria daqueles que já pensaram alguma vez em tirar a própria vida apresenta algum tipo de adoecimento mental que o leva a acreditar que essa seja a melhor solução para acabar com o sofrimento gerado e por todo estigma que isso carrega. As doenças mentais mais comuns são depressão, bipolaridade e esquizofrenia.
Existem também outras circunstâncias da vida em que a possibilidade de ideação suicida é maior, como: pessoas enlutadas (principalmente em idosos), abuso de álcool e drogas, pessoas que sofreram maus tratos ou abuso sexual na infância e o desamparo. São situações em que a angústia e o desespero são tão intensos que a pessoa não suporta sentir.
Geralmente o processo de angústia e desespero vai crescendo aos poucos. A pessoa começa a se isolar, a evitar situações que antes eram prazerosas e pode até começar a ter dificuldades na realização das tarefas diárias como ir trabalhar, por exemplo. Nesse movimento, não se consegue perceber racionalmente o motivo de tamanho desespero, pois “tenho tudo que alguém gostaria de ter” e, com isso, a vergonha e a culpa de estar se sentindo mal apesar “de estar tudo bem perante os olhos dos outros” faz com que ela se feche e se isole ainda mais. A pessoa sente muita vergonha de conversar e de pedir ajuda, dessa forma, os sintomas tendem a piorar.
Viver
Existem sim outras saídas! O apoio e o afeto das pessoas próximas são fundamentais. A psicoterapia se torna um espaço fundamental em que essa pessoa pode trabalhar os seus fantasmas e os medos mais profundos e perceber que existem outras formas de viver apesar daquilo que lhe aconteceu. A medicação, receitada por médico psiquiatra, também se torna um aliado imprescindível para permitir que a angústia e a ansiedade diminuam um pouco e, no caso das doenças mentais, que seja realizado o tratamento devido.
A vida é complexa e repleta de altos e baixos. Mas, precisa ser vivida da forma mais leve possível. Mesmo quando desacreditamos ou algo nos parece maior que as nossas forças são capazes de suportar, sempre há uma saída! Acredite e não tenha vergonha! Peça ajuda para conseguir transformar as dificuldades em algo menos doloroso e mais suave.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de que você não
está sozinho nessa jornada.
Assinar:
Postagens (Atom)